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Conhecimentos necessários:

Limites

Função

Função afim ou função de primeiro grau

Logaritmo

Potenciação

Fração

Radiciação

Razões trigonométricas

Função trigonométrica

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Navegação

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Agora vamos para uma das partes principais do Cálculo Diferencial e Integral, que é justamente a parte que dá o nome “Diferencial” ao Cálculo, a derivada!

Definição, significados geométrico e físico

A definição de derivada não passa que um limite, que seria:

$\lim\limits_{h \to 0} \dfrac{f(x + h) - f(x)}{h}$

Ou seja, se quiséssemos calcular a derivada da função $f$, bastaria resolver esse limite. Aqui um exemplo:

Vamos calcular, pela definição, a derivada da função $f(x) = 2x^2 + 3x$:

$\lim\limits_{h \to 0} \dfrac{f(x + h) - f(x)}{h} = \lim\limits_{h \to 0} \dfrac{2(x + h)^2 + 3(x + h) - 2x^2 -3x}{h} \\ \text{} \\ \lim\limits_{h \to 0} \dfrac{2x^2 + 4xh + 2h^2 + 3x + 3h - 2x^2 -3x}{h} \\ \text{} \\ \lim\limits_{h \to 0} \dfrac{\cancel{2x^2} + 4xh + 2h^2 + \cancel{3x} + 3h - \cancel{2x^2} \cancel{-3x}}{h}\\ \text{} \\ \lim\limits_{h \to 0} \dfrac{4xh + 2h^2 + 3h}{h}\\ \text{} \\ \lim\limits_{h \to 0} \dfrac{\cancel{h}(4x + 2h + 3)}{\cancel{h}}\\ \text{} \\ \lim\limits_{h \to 0} 4x + 2h + 3$

Como h tende a 0, podemos substituir ele por zero, restando apenas 4x + 3, que é a derivada que tanto procuramos. É um pouquinho de conta, mas é fácil!

O mais legal disso tudo é que a derivada pode ser usava como coeficiente angular de uma reta, lembra disso? Caso não, observe essa função afim: $f(x) = ax + b$

Esse $a$ é o coeficiente angular, que é justamente onde pode ser usada a derivada. Isso seria seu significado geométrico.

Já seu significado físico, seria seus usos como taxa de variação instantânea, que veremos mais para frente.

Notação

Existem duas notações para a derivada. A primeira seria a notação de Leibniz, que consiste em escrever $\frac{dy}{dx}$ ou $\frac{d}{dx}$ antes de uma função para indicar sua derivada. Usando o exemplo acima, teríamos: $f(x) = 2x^2 + 3x \Longrightarrow \frac{d}{dx}f(x) = 4x + 3$

A segunda forma seria a notação de Lagrange, que consiste em colocar um tracinho (tipo um apóstrofo) na função, ficando assim:

$f(x) = 2x^2 + 3x \Longrightarrow f'(x) = 4x + 3$

Lembrando que as duas formas não se aplicam somente às funções, mas podem também ser usadas nas expressões em si, tipo assim:

$\frac{d}{dx}(2x^2 + 3x) = (2x^2 + 3x)'$

Retas tangente e normal

Vimos que a derivada da função $f(x) = 2x^2 + 3x$ é $4x + 3$, e também vimos que a derivada pode ser usada como o coeficiente angular de uma função afim. É justamente isso que vamos precisar para criar uma reta tangente!

Primeiramente, para criar uma reta tangente, precisamos escolher o ponto que essa reta e a função estarão se encostando. Nesse caso, escolherei o ponto x = -1.

image.png

Reta tangente

Sabendo que x é -1, precisamos substituir o x da derivada por -1, encontrando, assim, o coeficiente angular:

$f'(-1) = 4 \cdot (-1) + 3 = -4 + 3 = -1$

Ou seja, -1 é o coeficiente angular, agora só precisamos achar o coeficiente linear!

Antes, pensa comigo: essa reta tangente vai passar no mesmo ponto que a função principal, né? Então, no momento desse ponto, as duas serão iguais! Então podemos criar isso aqui:

$ax + b = 2x^2 +3x$

Como já descobrimos que $a$ (o coeficiente angular) é -1, só precisamos achar $b$ (o coeficiente angular), então fica assim:

$-x + b = 2x^2 + 3x$

Mas lembra que o ponto que escolhemos é x = -1? Então basta substituirmos e encontrar o valor de $b$:

$(-1) \cdot (-1) + b = 2 \cdot (-1)^2 + 3 \cdot (-1) \\ 1 + b = 2 \cdot 1 -3 \\ 1 + b = 2 -3 \\ 1 + b = -1 \\ b = -1 - 1 \\ b = -2$

Então achamos que o coeficiente linear é -2, então encontramos toda a nossa reta tangente, que seria $-x -2$. Observe:

image.png

Reta normal

A reta normal seria a que faz um ângulo de 90° com a reta tangente. Para achar ela, é mais fácil ainda, é só fazemos essa conta aqui:

$a_n = - \dfrac{1}{a_t}$

De forma que $a_n$ é o coeficiente angular na reta normal e $a_t$ é o coeficiente angular da reta tangente. Com isso, temos:

$a_n = - \dfrac{1}{-1} = -(-1) = 1$

Para achar o coeficiente linear é a mesma coisa: transformamos em uma função afim e igualamos à função principal:

$x + b = 2x^2 + 3x$

Mas estamos considerando o ponto em que x é -1, né? Então basta substituir!

$-1 + b = 2 \cdot (-1)^2 + 3 \cdot (-1) \\ -1 + b = 2 \cdot 1 -3 \\ -1 + b = 2 -3 \\ -1 + b = -1 \\ b = -1 + 1 \\ b = 0$

Ou seja, a reta normal é $x + 0$, ou apenas $x$, já que B é zero. Colocando no gráfico, observe como ficou no final:

image.png

Não ficou bonitinho? Eu achei…

A derivada como taxa de variação instantânea

Quando falamos de taxa de variação instantânea para ser calculada com a derivada, na maioria das vezes se referimos a velocidade instantânea. É bem fácil! Vou te dar um exemplo:

Vamos supor que temos a seguinte função para determinar a velocidade de um carro: $v = 16t - t^2$. Vamos calcular a velocidade instantânea de quando t é 2:

$\lim\limits_{h \to 0} \dfrac{f(t + h) - f(t)}{h} \\ \text{} \\ \lim\limits_{h \to 0} \dfrac{16 \cdot (t+h) - (t+h)^2 - 16t + t^2}{h} \\ \text{} \\ \lim\limits_{h \to 0} \dfrac{16t + 16h - t^2 - 2th - h^2 - 16t + t^2}{h} \\ \text{} \\ \lim\limits_{h \to 0} \dfrac{\cancel{16t} + 16h - \cancel{t^2} - 2th - h^2 - \cancel{16t} + \cancel{t^2}}{h} \\ \text{} \\ \lim\limits_{h \to 0} \dfrac{\cancel{h} \cdot (16 - 2t - h)}{\cancel{h}} \\ \text{} \\ \lim\limits_{h \to 0} 16 - 2t - h$

Substituindo h por zero, resta $16 - 2t$. Como queremos saber a velocidade instantânea de quando t é 2, basta substituir t por 2, ficando $16 - 2 \cdot 2$, que é 12.

Diferenciabilidade e continuidade

Dizemos que uma função é diferenciável em um ponto se o limite da definição de derivada existe nesse ponto e é finito. A mesma coisa acontece para intervalos: a função é diferenciável nesse intervalo se o limite da definição de derivada existe em qualquer ponto desse intervalo e é finito.

Existe uma propriedade chamada de “Diferenciabilidade Implica Continuidade”. O nome é meio autoexplicativo: todo função diferenciável em um ponto, ela obrigatoriamente é contínua nesse ponto.

Mas cuidado! O contrário não ocorre sempre! Nem todo lugar que a função é contínua é também diferenciável. Algumas situações:

Regras de derivação

As regras de derivação servem para calcular derivadas de uma forma extremamente rápidas, tanto que algumas podemos calcular de cabeça em segundos!

Aqui estão as principais regras de derivação que usaremos:

Regra da constante

Diz que a derivada de toda constante é zero. Vou dar um exemplo:

$f(x) = 25$

25 é uma constante, porque isso não vai mudar hora nenhuma, então a derivada dessa função é zero:

$f'(x) = 0$

Regra da potência (ou tombamento)

Diz que a derivada de $x^n$ é $n \cdot x^{n-1}$. Vou te dar um exemplo pra ficar mais fácil:

Imagine a função $f(x) = 2x^3$. Essa regra diz que podemos pegar o expoente e multiplicar com o X. Depois temos apenas que subtrair 1 do expoente que temos a derivada! Então a derivada dessa função ficaria assim:

$f'(x) = 3 \cdot 2 x^{3-1} = 6x^2$

Fácil, né? Olha outros exemplos:

$g(x) = 15x^5 \Longrightarrow g'(x) = 5 \cdot 15x^{5-1} = 75x^4$

$h(x) = 4x \Longrightarrow h'(x) = 1 \cdot 4x^{1-1} = 4$ (derivada de todo número multiplicado por apenas X é o próprio número)